Essa provavelmente só a nerdalhada vai entender.
Quem tem parabólica em casa é agraciado na maior parte da minutagem diária do horário político: apenas os discursos dos presidenciáveis vão ao ar. O fato é que quando os candidatos regionais estão usando seus segundos na TV a parabólica exibe uma tela azul, com escritos em letras brancas e uns números estranhos que explicam o que está acontecendo.
Qual paralelo macabro há entre Windows e políticos, afinal?
O tal do Ficha Limpa é bem claro: quem já foi condenado por qualquer delito não merece fazer parte da curriola da mamata pública. Afinal, quem mandou dar mole e deixar provas pra Federal? Noves fora, talvez isso desse uma meia dúzia de candidatos; aí é que mora a falsa segurança do projeto. Quem pensa que basta não ter sido condenado pra ser um exemplo de bom moço, engana-se redondamente. Como diz a propaganda que esteve no ar por esses dias, o Ficha Limpa garante criminosos fora do páreo eleitoral mas não é atestado negativo de pilantragem pra ninguém — claro que não com essas mesmas palavras, mas a ideia é justamente essa.
Quantos filhos-das-putas você conhece que nunca estiveram no xadrez? Pode ser aquele colega de trabalho que leva as canetas pra casa ou aquele malandro que te deve uma grana e só vai pagar quando quiser, se quiser. Imagina o que um vagabundo desses não faria com os cofres públicos à disposição, isso tudo com o peito estufado dizendo que é “candidato ficha limpa”. Trouxa é você se ficar satisfeito só de ouvir isso.
O cabra que numa sexta à noite se enfia em um boteco pé-rapado pra encher a cara e dançar forró tem que ser muito macho. Primeiro pelos agravantes já citados, segundo porque provavelmente amanhã ele trabalha cedo e por último, mas não menos importante, pela barangada comum nesse tipo de recinto.
Eu invejo um cara desses. É muita disposição.
Depois de anunciar ao mundo todo que na madrugada de hoje chuvas de meteoros poderiam ser vistas ao redor do globo, a NASA preparou um novo logotipo para os que ficaram acordados até cinco da manhã, chegaram atrasados no trabalho e não viram porra nenhuma.

Fomos trolados, crianças. Duramente trolados.
Procure por “moda” no Google Imagens.Desde sempre o ser humano cria modas. Mesmo antes da moda ser moda ou de quando fazer moda passou a ser coisa de viado, criamos modas. É só pensar no início da humanidade: criacionistas creem na moda da maçã, evolucionistas na da divisão celular. E de qualquer forma ambos devem concordar que esse negócio de moda não surgiu na semana passada.
As modas estão e sempre estiveram aí, desde as mais bárbaras — como quando, segundo a História, a modinha era juntar uns miguxos pra pilhar e destruir uns reinados vizinhos — até as mais paz-e-amor — com os hippies dos anos 70, chapando na marofa e ouvindo cancioneiro revolucionário, ótimo pra puxar uma pestana. Quanto mais o humano se limita a fazer coisas diferentes, mais é igual a todo mundo: ser diferente (desde que não seja aquela diferença que passa no comercial, por favor) é moda também. Aliás, hoje em dia praticamente tudo é moda, com bons exemplos nacionais: na política, a moda do Ficha Limpa (e do Laranja Suja); no esporte, a moda do homicídio; na televisão, a moda de quem faz o pior programa de humor; e entre os jovens, a moda do “acho e odeio”. O jovem atual (leia-se trinta anos ou menos) é criado pra dar opinião sobre tudo, principalmente sobre o que não gosta e/ou não faz ideia de como funciona.
A moda do “acho e odeio” é dividida da maneira mais óbvia: a parte do que você acha e a parte do que você odeia. Presente principalmente na internet, essa voga andrógena também pode ser vista em shows de comédia stand-up e programas de humor de redes de televisão alternativas. Quer dizer, como se um não usasse as mesmas piadas do outro. O achismo, muito mais difundido que o odeísmo — afinal, humorista que se preza ainda preza muito pelo seu faz-me-rir no fim do mês –, é a prática mais banal desde o início da fala: a da conversa-pra-boi-dormir. Id est, quando você não entende lhufas sobre determinado assunto, por quê não entupir a cabeça do seu interlocutor com tudo aquilo o que você acha a respeito? Sobre um novo produto você pode achar que não vai ter saída, sobre um filme você pode achar que o ator principal é um péssimo ator, sobre a migração noturna das Andorinhas Azuis do Leste Asiático você pode achar que até hoje tudo bem, mas essa porra de viajar à noite, pra longe e sem GPS ainda vai acabar dando merda *.
* Piada bônus: quando achar alguma coisa, ache com um número considerável de palavreados e algo que remeta ao cotidiano da classe média. Nesse caso tanto faz se você tem um vlogue, faz stand-up ou é apresentador de programa de humor. Mesmo se a piada for ruim, todo mundo vai rir dos palavrões.
Odiar, apesar da negatividade incluída, é bem mais fácil. Pense em qualquer coisa, diga que odeia e aguarde os comentários. Vai angariar uma horda de fãs treslouquecidos concordando com seu ponto de vista, ainda que você só tenha dito uma frase, desconexa e sem sentido. Não esqueça dos palavrões.
Haterade (ou “Odeiorade”!?) — A bebida favorita das subcelebridadesJuntos, achar e odiar são os verbos mais conjugados da opinião pública atual, principalmente quando se fala de jovens e internet, o um porcento mais revolucionário da História, sentado em sua cadeira e comendo o seu Doritos. O jovem que mais faz sucesso nas internets é justamente aquele que odeia mais coisas e ainda cita grandes filósofos para corroborar suas ideias. Celebridades instantâneas, que falam merda em cima de merda aos sete ventos, são exatamente aqueles que odeiam trânsito, geladeira vazia, argentinos, pneu furado na chuva ou qualquer outra coisa facilmente odiável.
Alguns até já se aventuram em alguns ódios dos tempos de escola, os que se você contasse aos mais chegados eles dariam uma risada de dó e se contasse pra qualquer outra pessoa ela poderia acabar dizendo “Mas e eu com isso?”, e então acabava ficando calado. Mas ficar calado, hoje em dia, é inadmissível. Com tantos meios de comunicação, tantas redes sociais e tanta gente gastando tempo expondo sua vida para o mundo, é natural que tudo isso sirva de escudo pra que os que acham e odeiam metam a cara mas nem tanto. É como dar a cara a tapa, mas com um braço na frente. No lugar de escrever bons textos e ter criatividade é muito mais fácil escolher meia dúzia de assuntos correntes e sentar o pau em quem quer que faça parte, o público adora uma porradaria gratuita.
Mas que esse negócio de achar e odiar é muito mais viadagem que ir pra faculdade fazer moda, ah é.
Depois de quase um mês sem postar absolutamente nada — por pura falta de tempo, diga-se de passagem — estou de volta com algo que todo mundo já tentou mas nunca conseguiu.
Quantos elásticos você já destruiu tentando fazer isso? E quantos móveis da sua casa já tomaram porrada sem dar uma nota que prestasse?
[via]
Nossa, que mulher linda! Eu poderia até OH MEU DEUS DO CÉU!!

Antes do banho/depois do banho.
Últimos Couverts