Hoje me mandaram um link para uma tópico no orkut. Basicamente o post pedia a intervenção dos fiéis católicos para que um religioso não fosse transferido de paróquia. A discussão, no entanto, enveredou para o lado da guerrilha religiosa logo depois de um ateu dar sua opinião preconceituosa e, lendo os comentários, tive que intervir pela minha opinião sobre o que estava acontecendo ali. O texto vai ligeiramente adaptado.
Um dia eu escrevi em um site que só me deixa divagar por 140 caracteres: “o ateísmo se limita a combater contra aquilo que não acredita”; ora, então por que se importar? Se não existe, cague, ande e seja feliz.

Comentários como “ainda tem gente que dá bola pra igreja católica”, “vai só na evangélica, seu trouxa” e “seu babaca, se você é evangélico, problema é seu” só demonstram o quanto a humanidade (e principalmente a juventude) tem a se lapidar e a aprender. Aprender a ter dignidade, coerência, solidariedade e, principalmente, respeito. Respeito pelo que o seu próximo pensa, pelo que ele é, pelas suas opiniões. Se você, dentro da sociedade viciada e manchada na qual vivemos, diz a um preto na rua que ele se parece com um macaco, pode ser que ele faça uma denúncia e a justiça vá te buscar na sua casa; ou pode ser que ele olhe para você e te dê o que você merece: uma boa risada, pelos seus elevados graus de animalismo e imbecilidade. Nos dois casos o trouxa é você.
Vamos pensar a respeito? Esqueça o exemplo do negro, vamos à realidade. Sempre que você senta em frente a um computador e acessa a internet, entra em um mundo à parte. Se esse mundo toma mais tempo do seu dia que o “mundo real” (a internet NÃO é virtual, pense a respeito) ou se você só passa nele por alguns minutos do seu dia, não importa. Importa é que é um mundo à parte, mascarado, sem faces, sem gostos exatamente definidos, sem contato corporal. Nesse mundo, essencialmente, há dois caminhos: o de ser mais um incluído idiota ou um vivente com um mínimo de decência. Há algumas outras ruas ao longo destes caminhos, menores ou maiores, mas tudo parte deles dois.
“Se você diz a um preto que ele se parece com um macaco, pode ser que ele te dê o que você merece: uma boa risada, pelo seu animalismo e imbecilidade”
O primeiro caminho é dos que ainda não veem a internet como algo que muda costumes, movimenta milhões de dólares, conecta pessoas, democratiza a informação. Nesse caminho a internet não passa de um detalhe, de um lugar onde você entra e sai sem injúrias e sem convicções. O segundo caminho é dos que já se deram conta de tudo o que a internet pode fazer por nós e de uma dúzia de outras coisas a respeito dela, como o fato, já mencionado, de que ela não é virtual — sem nós talvez ela continuasse a existir, mas não exatamente da forma como é hoje.
Escolha o seu caminho. Você não entraria em uma igreja protestante chamando todo mundo de safado e ladrão. Da mesma forma, você não entraria em uma igreja católica dizendo que são enganados há tanto tempo quanto você acha que são. Você pode até dizer que sim, mas não se engane; você não faria. No máximo conseguiria um problema ou passaria por babaca, nada mais. E, definitivamente, arrumar um problema ou ser motivo de chacota não é interessante para ninguém.
Não sejam prepotentes. Não julguem. Não humilhem. Não xinguem. Suas religiões e/ou suas essências civilizadas não permitem isso — em nome de Jesus, de Buda ou de quem quer que for. Aprendam a respeitar, porque vocês querem ser respeitados. Seus limites terminam assim que começa o do próximo, e passar dos limites não é aturável em lugar nenhum, até mesmo para um lugar sem contato, sem faces, sem ideais defendidos na base do muque. A internet é um mundo à parte porque pode ser do jeito que queremos: podemos ler algo que não gostamos e comentar com a nossa opinião, ou deixar a oportunidade passar sem sermos tomados por covardes. Esse “mundo do nosso jeito” é do jeito de cada um, de acordo com a limitação, o gosto e a preferência de cada um. Apesar de ser popularizada, a “sua” internet não é igual a de ninguém, assim como você não é igual a nenhuma pessoa de lugar e tempo alguns.
Se você escolhe a internet colaborativa, civilizada, sem fronteiras e livre, parabéns; você faz parte do futuro. O futuro que você construirá, com ou sem um líder civil, religioso ou divino, se criará sobre raízes bem conectadas às melhores fontes de sustento e dará frutos suficientes para que você construa uma história. Apesar disso por si só não garantir nada a você, pelo menos aqui dentro você segue um bom caminho.
Se você escolhe a internet que degrada, rouba, humilha e destrói… bem, talvez você precise aprender um pouco mais sobre a vida. Mas esse conhecimento você não vai conseguir aqui dentro; a internet ainda não faz isso por nós. Vá lá fora, dê uma volta, e volte quando você não precisar descontar suas frustrações pessoais ou impor ideais a ninguém.
A internet é livre porque tem o jeito decada um. E isso ninguém pode mudar.