Esse é o início de mais uma série do Comeu Tudinho? que eu espero que vá para frente. Aliás, pra frente, pra trás, freneticamente, em movimentações pélvicas sacanas e maldosas, assim como os impostos que o governo toma da gente na mão grande e aquelas cenas picantes dos desenhos animados da Disney que fizeram sucesso nos anos em que a sua avó vestia fraldas.
Pois então, eis que apresento a série de Coisas que eu tenho medo. Essas coisas podem ser qualquer coisa compreendida no âmbito de qualquer conjuntura e qualquer tempo, desde que não ofendam a moral e os bons costumes e que não sejam usadas na fabricação de casacos de pele de animais mortos.
Brincadeirinha. Pode ofender a moral, os bons costumes e a sua mãe também.
Começa quando eu entro no banheiro. Está tudo no lugar, limpo, cheirando a Bom Ar®, como manda o figurino. Só há uma coisa errada mas eu não sei exatamente o quê. Meus olhos acusam algo estranho pelas periféricas mas não conseguem captar quando olham diretamente. Eu jogo água na cara, olho no espelho, bato nas bochechas e pego a escova. Aí é que eu percebo algo errado.
Eu pego o tubo de pasta e tenho certeza de que é uma pegadinha. Nada do que eu vi até hoje incluía tubos de pasta gigantescos, a ponto de serem maiores que o meu palmo. O tubo é absurdo, tem 180g de pasta — ou, pelo menos, é o que diz no rótulo — e parece dizer “me aperta, pra acabar mais rápido”, que foi, por causa do meu instinto destruidor, exatamente o que eu fiz: atochei pasta na escova inteira, até nos dedos, escovei os dentes e arrotei pasta até o dia seguinte.
Veja também Tradusseichon.
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