Procure por “moda” no Google Imagens.Desde sempre o ser humano cria modas. Mesmo antes da moda ser moda ou de quando fazer moda passou a ser coisa de viado, criamos modas. É só pensar no início da humanidade: criacionistas creem na moda da maçã, evolucionistas na da divisão celular. E de qualquer forma ambos devem concordar que esse negócio de moda não surgiu na semana passada.
As modas estão e sempre estiveram aí, desde as mais bárbaras — como quando, segundo a História, a modinha era juntar uns miguxos pra pilhar e destruir uns reinados vizinhos — até as mais paz-e-amor — com os hippies dos anos 70, chapando na marofa e ouvindo cancioneiro revolucionário, ótimo pra puxar uma pestana. Quanto mais o humano se limita a fazer coisas diferentes, mais é igual a todo mundo: ser diferente (desde que não seja aquela diferença que passa no comercial, por favor) é moda também. Aliás, hoje em dia praticamente tudo é moda, com bons exemplos nacionais: na política, a moda do Ficha Limpa (e do Laranja Suja); no esporte, a moda do homicídio; na televisão, a moda de quem faz o pior programa de humor; e entre os jovens, a moda do “acho e odeio”. O jovem atual (leia-se trinta anos ou menos) é criado pra dar opinião sobre tudo, principalmente sobre o que não gosta e/ou não faz ideia de como funciona.
A moda do “acho e odeio” é dividida da maneira mais óbvia: a parte do que você acha e a parte do que você odeia. Presente principalmente na internet, essa voga andrógena também pode ser vista em shows de comédia stand-up e programas de humor de redes de televisão alternativas. Quer dizer, como se um não usasse as mesmas piadas do outro. O achismo, muito mais difundido que o odeísmo — afinal, humorista que se preza ainda preza muito pelo seu faz-me-rir no fim do mês –, é a prática mais banal desde o início da fala: a da conversa-pra-boi-dormir. Id est, quando você não entende lhufas sobre determinado assunto, por quê não entupir a cabeça do seu interlocutor com tudo aquilo o que você acha a respeito? Sobre um novo produto você pode achar que não vai ter saída, sobre um filme você pode achar que o ator principal é um péssimo ator, sobre a migração noturna das Andorinhas Azuis do Leste Asiático você pode achar que até hoje tudo bem, mas essa porra de viajar à noite, pra longe e sem GPS ainda vai acabar dando merda *.
* Piada bônus: quando achar alguma coisa, ache com um número considerável de palavreados e algo que remeta ao cotidiano da classe média. Nesse caso tanto faz se você tem um vlogue, faz stand-up ou é apresentador de programa de humor. Mesmo se a piada for ruim, todo mundo vai rir dos palavrões.
Odiar, apesar da negatividade incluída, é bem mais fácil. Pense em qualquer coisa, diga que odeia e aguarde os comentários. Vai angariar uma horda de fãs treslouquecidos concordando com seu ponto de vista, ainda que você só tenha dito uma frase, desconexa e sem sentido. Não esqueça dos palavrões.
Haterade (ou “Odeiorade”!?) — A bebida favorita das subcelebridadesJuntos, achar e odiar são os verbos mais conjugados da opinião pública atual, principalmente quando se fala de jovens e internet, o um porcento mais revolucionário da História, sentado em sua cadeira e comendo o seu Doritos. O jovem que mais faz sucesso nas internets é justamente aquele que odeia mais coisas e ainda cita grandes filósofos para corroborar suas ideias. Celebridades instantâneas, que falam merda em cima de merda aos sete ventos, são exatamente aqueles que odeiam trânsito, geladeira vazia, argentinos, pneu furado na chuva ou qualquer outra coisa facilmente odiável.
Alguns até já se aventuram em alguns ódios dos tempos de escola, os que se você contasse aos mais chegados eles dariam uma risada de dó e se contasse pra qualquer outra pessoa ela poderia acabar dizendo “Mas e eu com isso?”, e então acabava ficando calado. Mas ficar calado, hoje em dia, é inadmissível. Com tantos meios de comunicação, tantas redes sociais e tanta gente gastando tempo expondo sua vida para o mundo, é natural que tudo isso sirva de escudo pra que os que acham e odeiam metam a cara mas nem tanto. É como dar a cara a tapa, mas com um braço na frente. No lugar de escrever bons textos e ter criatividade é muito mais fácil escolher meia dúzia de assuntos correntes e sentar o pau em quem quer que faça parte, o público adora uma porradaria gratuita.
Mas que esse negócio de achar e odiar é muito mais viadagem que ir pra faculdade fazer moda, ah é.
Um aleijado vem atravessando a rua quando avista um carro vindo em sua direção e…
O que não se faz pra faltar ao trabalho…

E depois me diga pra que merda isso serve.
Sim, eu fico feliz nesse dia. Gosto muito. Acho essa coisa de espírito de Natal um tanto quanto contagiante. Enfeito a casa, junto os presentes, uns dois ou três em época de vacas gordas, enfeito o pinheirinho de prástico que eu compro na casa de produtos refugados com as fitinhas de seda que eu junto dos presentes que eu ganho durante o ano, uma ao todo, e encho a casa daquelas lampadinhas que piscam, piscam e queimam (quase sempre na ordem inversa).
Faço a mesa com as sobras de madeira que jogam no terreno baldio da esquina, pego os melhores pratos da casa e lavo com palha de aço pra tirar a crosta de gordura, mando a patroa fazer um panelão de arroz parboilizado, mato um gato gordo da vizinha e mando chamar a família: consigo uma Kombi e recolho a maioria deles de um viaduto aqui pertinho. Como eu sou o mais abonado da família e vivo com a patroa e os oito filhos em uma caixa de papelão na rodoviária, os dois reais da gasolina sou eu que pago.
Quando chega a grande hora, a de atacar a única panela de farofa com linguiça na mesa, eu faço todos se abraçarem e desejarem feliz Natal uns aos outros, numa demonstração coletiva de falsidade que daria inveja a qualquer comício político. Depois vamos aos presentes: todos bêbados de cerveja barata começamos a trocar todas as farpas acumuladas durante o ano. As mulheres falam dos sapatos e dos vestidos umas das outras. Os homens falam das próprias mulheres, depois das sogras e depois daqueles filhos das putas dos nossos filhos que tão destruindo a casa inteira, tira a mão daí, moleque! Na hora de ir embora, alguns vomitando pelo excesso de bebida e outros por excesso de verdade, a gente se abraça de novo, dá dois tapinhas nas costas e faz a piadinha tão esperada do “até ano que vem, hein!”.
O Natal é mesmo uma data pra não se esquecer.
Ontem fui apanhado de supetão* por um tique nervoso na pálpebra direita que quase não me deixou dormir e me assolou hoje durante todo o dia. Dizem que isso é por causa do stress. Eu já imaginei logo que seria pela falta de dinheiro, a pouca esperança em um mundo melhor, as constantes aporrinhações caseiras e o fato de eu nunca dormir tanto quanto eu deveria.
Mas logo depois eu pensei que, se fosse assim, o mundo inteiro já teria arrancado os olhos há muito tempo.
* Sempre quis escrever essa palavra. Minha vida mudou.

Eu confesso. Confesso tudo.
Que assisti à Xuxa um trilhão de vezes, e só hoje eu sei o quanto isso aporrinhou os meus pais. Que ouvi o LP do Balão Mágico no volume máximo, 56 vezes por dia, e só hoje eu sei o quanto os meus amigos também ouviram. Que era eu e meu pai que, com uma antena acoplada do videocassete, transmitíamos A Dama e O Vagabundo para o quarto e para mais meia dúzia de vizinhos. Que também assisti ao Senna ganhando mais um título. Que me emocionei quando ele se foi, e só hoje eu sei o quanto aquele sentimento foi real.
Que voltei pra casa todo estourado depois de ter um acesso de raiva e tentar destruir a bicicleta apertando com toda força as duas manetes de freio descendo a ladeira. Que pulei para a casa do lado pra pegar a bola e empenei o portão todo. Que xinguei a senhora mais chata da rua escondido em cima da árvore. E que vendi chiclete Ploc na porta de casa.
Que me entupi de Kinder Ovo e fiquei de caganeira até o dia seguinte. Que ignorei o quebra-cabeças que vinha dentro porque eu queria o carrinho de montar. Que perdi todos os meus Tazos para a minha irmã menor numa luta justa e apelei à minha mãe para reavê-los. E essa não é a maior das minhas vergonhas juvenis.
Confesso que empinei pipa com nylon e falhei miseravelmente. Que joguei Top Gear, F-Zero e Mario RPG na locadora e com os amigos. Que acreditei na brincadeira do copo e mandei minha irmã ficar longe. Que passei um ano sem falar com o meu cachorro preferido. E que eu mesmo o enterrei quando ele se foi.
Que vibrei a cada guincho do meu primeiro modem, a cada sábado que passava das 14 às 6 horas de domingo descobrindo sabe-se lá o quê na internet. Que ri muito alto com o Silvio Santos no Motel e o Trote no Pastor da Universal. Que li todo o Eu, Hein! e disse que gostaria de ser criativo daquele jeito. Que conectei dois modens via Telnet só pra fazer o console de chat. Que usei o ICQ até a sua quinta versão. Que roubei no Banco Imobiliário. E no War também.
Que apertei a campainha da casa de quem hoje é pediatra da minha filha e saí correndo rindo. Que antes de fazer isso perguntei a todo mundo: “quem aí tá afim de correr?”. Que peguei o carro escondido para comprar biscoito no mercado e fiz o favor de amassar o parachoque. Que caí com a moto, rasguei o tênis e ganhei um puxão de orelha e um elogio pelo alinhamento do guidão — que tinha ficado perfeito depois da queda. E que na escola não houve playboy de Honda Biz que roubasse os olhares de mim quando eu passei pela portaria montado numa 125 do meu tamanho.
Confesso, bato no peito e assino embaixo: minha infância foi muito boa.
* * *
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E, sim, minha infância durou até os meus 18 anos.
Garoto de 14 anos bebe gasolina para ficar igual ao Optimus Prime
Segundo declaração do pai:
Ele começou a beber gasolina há cinco anos, quando a gente descobriu que ele gostava de cheirar o líquido do isqueiro.
Desde que o meu filho começou a beber gasolina, seu QI diminuiu muito, e agora ele não consegue resolver adições e subtrações simples. Antes ele era um garoto esperto, conseguia até consertar a televisão. Agora não sabe nem quanto é 7 mais 17.
Bebe gasolina há 5 anos e não sabe quanto é 17 mais 7? É claro que é 22…!
Vírus de Michael Jackson se espalha pela internet
A empresa de segurança virtual Sophos lançou um alerta nesta quinta-feira sobre um vírus transmitido através de um e-mail contendo supostos arquivos com músicas inéditas e fotos de Michael Jackson.
Veja agora exemplos de computadores infectados pelo vírus Michael Jackson:

Este, já com o segundo estágio do vírus, já tem o monitor e o teclado afetados:
Aqui um gabinete que foi isolado após contrair o último estágio do vírus:
Alguns especialistas o chamam de Vitiligo. Outros de Renegação.
Lembram das Cabras que desmaiam? Pois é. Agora elas sofrerão nas mãos de um adversário mortal…
Ah, foi engraçadinho, não foi?
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