No dia 08 passado foi ao ar na Globo um episódio da novela das oito em que a paraplégica Luciana ganhava um blog de sua irmã e, talvez pra tentar fazer com que esse pedaço da trama tivesse mais realidade e/ou pra gerar buzz em torno da novela, criaram mesmo o tal blog, que está hospedado na Globo.com. Lá podemos ler desabafos, histórias e relatos da personagem tetraplégica com a maior, melhor e mais rápida recuperação do mundo, que não demorou muito a mostrar que não é preciso ter dez dedos pra se tornar um blogueiro de sucesso.
Mas o problema todo não é aceitar a tetraplegia pra-inglês-ver da personagem, ou imaginar como ela escreve textos quilométricos muito bem formatados e sem erros de digitação… não podendo usar seus dedos pra isso. Não, nada disso seria problema no mundo fantasioso da cabeça de Manoel Carlos. O problema mesmo é o que as pessoas pensam disso tudo.
Revirando uma ou duas páginas dos comentários do primeiro post do blog achei comentários muito construtivos, que definem muito bem o que o povo brasileiro pensa sobre a novela e, pra ser sincero, eu não esperava tanta franqueza.

Continui assim arrazando!
Muito bem, Braziu. Muito bem.
Aproveitando o clima de Ano Novo que já se instaura pelo mundo a essa altura do campeonato, resolvi fazer algumas previsões para o ano que se inicia. Nada muito incomum, só alguns fatos que eu penso que realmente podem acontecer.
Recebi pelo twitter um link para as melhores frases da semana no twitter segundo a Folha Online. Lá pelas tantas vem uma tradução de uma frase da Lindsay Lohan:

Juro que não entendo. Não soaria melhor algo como:
“Tendo uma discussão sobre política c/o meu guarda-costas e estou quase levantando da mesa! Nunca discuta no jantar. Você vai acabar com fome”
Afinal, é visível que o texto dela tinha um fundo de humor, certo? E a gente não quer perder isso na tradução, certo? E além disso a gente também não quer perder crédito por causa de uma bobagem dessas, certo?
Então vamos deixar o Google Tradutor de lado na próxima vez, ok, guys?
Tá, ok, a maioria dos blogs “grandes” já tem algo parecido e alguns já até se especializaram em responder a mensagens indesejadas. Porém, esse é o primeiro SPAM que o blog recebe e que merece uma resposta à altura. Vamos lá.
O e-mail é, à primeira vista, legítimo. Parece mesmo que você pediu pra ser incluído em alguma lista maldita e, pra largar de ser trouxa e sair clicando em tudo quanto é caixinha de “eu aceito…”, agora você tem e-mails toscos na sua caixa de entrada.

Os retângulos azuis são links que eu fiz questão de esconder.
O conteúdo é técnico, tem palavras bonitas e parece ser um agradecimento. Porém, ah porém, comecei a observar o que realmente queria comigo o tal de Luiz, que eu não faço nem ideia de quem seja.
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Começa com “Amigo colaborador”. Começou errado, Luiz, porquê se eu não te conheço, não posso ser seu amigo. E se eu fosse seu amigo, você não me chamaria de colaborador. Só “amigo” já seria suficiente. Mas, de novo, eu não sou seu amigo.
Logo depois vêm os dados que deixam qualquer blogueiro fascinado.
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DUZENTOS MIL SITES CADASTRADOS?? CORRÃO!!!1
Tá. Cadastrados por qual razão? Cadastrados onde? E que merda de “cadastro” é esse, que eu nunca ouvi falar?
Segue a conclusão e o agradecimento, que não poderiam faltar. O problema é o “muitíssimo”: muito já é mais que o normal, não tem necessidade do superlativo. Pelo menos não em uma carta que pretende ser séria.

Uuuhh, “visto pelo lado do internauta”. A internet, meu amigo, por acaso é vista pelo lado do Tião do Açougue? Acho que não.
Outra: “obrigado” significa que você é mesmo obrigado a me retribuir o favor, de alguma forma que me sirva. Mas eu nem te conheço, não sei onde você mora, que apito você toca e, por isso, não vou conseguir cobrar a minha parte do acordo. Simplesmente agradeça e ficamos bem.
Ainda não acabou? Você já não tinha se obrigado, já não tinha dado tchau?
Ah, agora é a hora do merchan desnecessário.
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CEM MIL ACESSOS EM UM DIA??? Puxa, leckal, você quis ser arrogante ou esnobe? Já pensou se eu chego na tua casa dizendo que eu sou um amigo muito legal porque tenho uma renda mensal de duzentos mil reais? No mínimo eu seria ignorado sumariamente, então abraços.
Tem mais? Se tem.
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AAAhhhh, explicado. Depois de ler esse monte de baboseiras você não me dá nem a oportunidade de te responder, Luiz?
Eu começo na base do fair play. Escrevo uma frase (em negrito) que não quer dizer absolutamente nada, colo mais alguns parágrafos do Gerador de Lero-Lero e termino com o melhor do humor desbocado.
A iniciativa do Portal é deveras válida; a metodologia e a substancialização do conteúdo agregado são os pontos fortes da idealização e do elevado nível técnico apresentado. Além disso, gostaria de enfatizar que a estrutura atual da organização nos obriga à análise das condições financeiras e administrativas exigidas.
(…)
Deste ponto de vista, peço gentilmente que o sr. imprima este e-mail, enrole-o e dobre-o até que ele tenha o diâmetro de um dedo e enfie-o todo no seu ânus, que é onde todo o SPAM do mundo deveria entrar, de uma vez, sem lubrificação e aos gritos da torcida: “Luiz Manu, enfia o SPAM no cu!”.
Se ele tiver a petulância de responder, eu chamo até pela mãe.

Eu confesso. Confesso tudo.
Que assisti à Xuxa um trilhão de vezes, e só hoje eu sei o quanto isso aporrinhou os meus pais. Que ouvi o LP do Balão Mágico no volume máximo, 56 vezes por dia, e só hoje eu sei o quanto os meus amigos também ouviram. Que era eu e meu pai que, com uma antena acoplada do videocassete, transmitíamos A Dama e O Vagabundo para o quarto e para mais meia dúzia de vizinhos. Que também assisti ao Senna ganhando mais um título. Que me emocionei quando ele se foi, e só hoje eu sei o quanto aquele sentimento foi real.
Que voltei pra casa todo estourado depois de ter um acesso de raiva e tentar destruir a bicicleta apertando com toda força as duas manetes de freio descendo a ladeira. Que pulei para a casa do lado pra pegar a bola e empenei o portão todo. Que xinguei a senhora mais chata da rua escondido em cima da árvore. E que vendi chiclete Ploc na porta de casa.
Que me entupi de Kinder Ovo e fiquei de caganeira até o dia seguinte. Que ignorei o quebra-cabeças que vinha dentro porque eu queria o carrinho de montar. Que perdi todos os meus Tazos para a minha irmã menor numa luta justa e apelei à minha mãe para reavê-los. E essa não é a maior das minhas vergonhas juvenis.
Confesso que empinei pipa com nylon e falhei miseravelmente. Que joguei Top Gear, F-Zero e Mario RPG na locadora e com os amigos. Que acreditei na brincadeira do copo e mandei minha irmã ficar longe. Que passei um ano sem falar com o meu cachorro preferido. E que eu mesmo o enterrei quando ele se foi.
Que vibrei a cada guincho do meu primeiro modem, a cada sábado que passava das 14 às 6 horas de domingo descobrindo sabe-se lá o quê na internet. Que ri muito alto com o Silvio Santos no Motel e o Trote no Pastor da Universal. Que li todo o Eu, Hein! e disse que gostaria de ser criativo daquele jeito. Que conectei dois modens via Telnet só pra fazer o console de chat. Que usei o ICQ até a sua quinta versão. Que roubei no Banco Imobiliário. E no War também.
Que apertei a campainha da casa de quem hoje é pediatra da minha filha e saí correndo rindo. Que antes de fazer isso perguntei a todo mundo: “quem aí tá afim de correr?”. Que peguei o carro escondido para comprar biscoito no mercado e fiz o favor de amassar o parachoque. Que caí com a moto, rasguei o tênis e ganhei um puxão de orelha e um elogio pelo alinhamento do guidão — que tinha ficado perfeito depois da queda. E que na escola não houve playboy de Honda Biz que roubasse os olhares de mim quando eu passei pela portaria montado numa 125 do meu tamanho.
Confesso, bato no peito e assino embaixo: minha infância foi muito boa.
* * *
Gostou do post? Então dá uma olhada lá no Malvadas e entra nos links dos outros blogs!
E, sim, minha infância durou até os meus 18 anos.
Com certeza o Zelaya só desapareceu porque ouviu alguma coisa errada…

OOOOU…

Hum, magoou.
Que SPAM é uma coisa chata e inconveniente todo mundo sabe. Aquela propaganda fora de hora, aquela insistência em empurrar para você coisas que você não precisa — práticas que até na vida real a gente vê o tempo todo. Mas o que diabos quer dizer SPAM? E o que isso tem a ver com humoristas ingleses e presunto enlatado?

SPAM vem do inglês “Spiced Ham”, ou “presunto temperado”, que é o nome de um enlatado produzido pela Hormel desde os anos 30, década em que a internet nem sonhava em existir. Essa especiaria foi criada para trazer mais praticidade à cozinha dos preguiçosos e dar uma melhorada na junk food da época — a famosa “comida de solteiro” –, que matava mais que a guerra. Desde então o SPAM é utilizado em uma boa parte das receitas estadounidenses, o que nos leva a crer que o troço é gostoso (ou o povo dos EUA não tem paladar pra merda nenhuma mesmo).
O SPAM eletrônico é a terceira pior invenção tecnológica, atrás apenas do Tamagotchi e do botão de chamar atenção do MSN. Seu uso é feito de forma cada vez mais indiscriminada, o que leva os números da propagação desse tipo de praga serem comparáveis aos da gripe suína e da peste bubônica. Qualquer pessoa, mesmo sem saber, pode se tornar um spammer de mão cheia — e isso faz a internet ficar cada vez mais intransitável. Por meio de um vírus ou do simples descuido ao enviar e-mails para uma lista de pessoas, qualquer um pode passar a fazer parte de listas de spam e ainda fazer com que seus contatos o acompanhem.
Quatro décadas depois da criação do produto, em meados de 70, o grupo humorístico inglês Monty Python, famoso por seu estilo de humor nonsense, criou uma esquete onde um casal chegava a um bar e tentava comer algo do cardápio que não incluísse o famoso embutido, mas sem sucesso.
No vídeo, tudo no cardápio inclui o embutido e os clientes não podem escolher nada que não tenha SPAM a não ser que sua falta fosse sanada com o próprio SPAM. A repetição do nome do produto ao longo vídeo faz com que ele seja chato, bizarro e, finalmente, engraçado, satirizando o fato de todo vendedor querer empurrar alguma coisa para cima de você. Daí em diante, desde a década de 80, com “criação” da internet e sua popularização o termo “spam” passou a ser usado como definição para algo indesejável que, de forma ou de outra, você vai acabar recebendo sem pedir.
Sabe quando você passa horas baixando aquele programa ou aquele jogo enorme, de gigas e mais gigas, que fazem qualquer banda larga ficar assustada? E que, além disso, você fica mais uma hora esperando ele descompactar e instalar? Pois é. Se você acha que já perdeu tempo demais é por que não esperou ele abrir…

… e começar a baixar mais um mundo de atualização. Êêêê…
Dá uma vontadezinha de jogar, né?
Tudo pelos ares, evidente.
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