É a velha fórmula: alguns idiotas, uma câmera e outro, mais idiota ainda, com vontade de aparecer.
Poderia ser pior. Poderia ser concreto.
É brega, é tosco, é vergonha alheia do início ao fim. E não há como não rir.
No dia 08 passado foi ao ar na Globo um episódio da novela das oito em que a paraplégica Luciana ganhava um blog de sua irmã e, talvez pra tentar fazer com que esse pedaço da trama tivesse mais realidade e/ou pra gerar buzz em torno da novela, criaram mesmo o tal blog, que está hospedado na Globo.com. Lá podemos ler desabafos, histórias e relatos da personagem tetraplégica com a maior, melhor e mais rápida recuperação do mundo, que não demorou muito a mostrar que não é preciso ter dez dedos pra se tornar um blogueiro de sucesso.
Mas o problema todo não é aceitar a tetraplegia pra-inglês-ver da personagem, ou imaginar como ela escreve textos quilométricos muito bem formatados e sem erros de digitação… não podendo usar seus dedos pra isso. Não, nada disso seria problema no mundo fantasioso da cabeça de Manoel Carlos. O problema mesmo é o que as pessoas pensam disso tudo.
Revirando uma ou duas páginas dos comentários do primeiro post do blog achei comentários muito construtivos, que definem muito bem o que o povo brasileiro pensa sobre a novela e, pra ser sincero, eu não esperava tanta franqueza.

Continui assim arrazando!
Muito bem, Braziu. Muito bem.
A moda dos tempos de hoje é o remake de piadas batidas com cenas atuais. Lá vai.
* * *
Diz que o cara tava dando um rolé de pedalinho na Avenida Paulista quando se deparou com uma peça brilhando no meio da água. Mais que rapidamente colocou o braço pra fora, agarrou o artefato e viu que era uma garrafa. Dentro dela uma fumaça estranha parecia ter a cara de um humano. Sem acreditar no que via, abriu a garrafa e um gênio saiu de dentro dela.
– Tu tem um desejo, malandro.
– Só um?
– E rápido, que eu tenho mais o que fazer.
– Tá… Beleza… É… — tirou um mapa do bolso e apontou — Eu quero a paz no Oriente Médio. Aqui, ó. Sabe, seu gênio, é que os mano lá tão se matando por causa de besteira, se explodindo, se destruindo… Se aquela guerra de lá acabasse a gente ia ter mais paz no mundo, tá ligado? É isso aí que eu quero.
– Rapaz, tu tá maluco? Esses países aí tão se engalfinhando há mais de cinco mil anos! Tu acha que eu vou botar paz naquela zona como? Pede outra coisa, vai.
– Outra coisa? Tá, calmaí… É… Já sei, eu quero que São Paulo nunca mais tenha enchente. Isso aí.
– São Paulo? Sem enchente?
– Nunca mais.
– Nunquinha?
– Nunca.
– Me dá essa porra desse mapa aí, vai.
Sabe aquele tipo de vídeo que você já viu a merda toda mas ainda assim tem que ver o que a anta vai fazer?
Tu é um imbecil, Jaum.
Todo mundo rindo, baixando o cacete no personagem do joguinho, dando com a cara dele na parede, se divertindo com o sangue voando. Mas isso não vai ficar barato.
Dá risada agora, vagabundo.
Ele consegue chegar lá em cima.

É só esperar.
Já pensou se a Nokia resolvesse lançar um eletrônico equivalente ao iPad da Apple?

Jogar Snake com pixels de um centímetro quadrado é o que há.
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