Desde os tempos de Éviadão – quando O Poderoso Chefão disse aos seus semelhantes que não comessem uns aos outros senão a porrada ia cantar — o homo-sapiens homossapiens hom homem já achava o bicho-da-maçã do vizinho mais gordinho, mais nutrido, mais amarelinho. Comparavam suas minhocas como se aquilo fosse lhes dar a resposta para a vida, o universo e tudo mais: “Eva, acho que teu pinto é maior que o meu”, mas não chegavam a nenhuma conclusão.
Hoje, com os bichos-da-maçã em extinção e a ausência daquela voz do além gritando “tira a mão daí, cacete!” para cada passo errado que se possa tomar, o bípede hominídeo ficou muito mais invejoso — e muito mais filho da puta — com tudo que o cerca. O homem, corno e cruel, petulante até o último pentelho, prefere assistir à grama do outro lado do muro crescer e esquecer do cachorro que caga na dele própria, fuça o seu lixo e dá rasteira em quem passa na rua.
Talvez por isso Deus tenha ficado de mal.


E os loops infinitos.
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